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A Doença de Parkinson (DP) é caracterizada pela perda de neurônios produtores de dopamina. Embora a medicação (como a Levodopa) seja muito eficaz inicialmente, com o avanço da doença podem surgir flutuações motoras (o remédio perde o efeito mais rápido ou se torna pouco previsível), discinesias (movimentos involuntários) e tremores que não respondem bem aos remédios. É neste cenário que a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) muda a perspectiva de qualidade de vida do paciente. |
| 1. Seleção de Pacientes: Quem é candidato? | |
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A indicação do DBS não é universal. Apenas cerca de 10% a 20% dos pacientes com Doença de Parkinson terão benefício real com a cirurgia. A seleção criteriosa é o fator mais importante para o sucesso. Para ser um bom candidato, o paciente geralmente precisa apresentar:
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| 2. O que é o DBS (Marca-passo Cerebral)? | |
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A Estimulação Cerebral Profunda (do inglês Deep Brain Stimulation) é uma terapia que utiliza pulsos elétricos contínuos para modular as redes neuronais que estão funcionando de forma anormal devido à falta de dopamina. O sistema é composto por três partes principais:
Após a cirurgia e o período pós operatório, há poucas restrições sobre atividades que o paciente possa fazer. O sistema é completamente implantado, ficando inteiramente abaixo da pele, podendo mater atividade física e natação por exemplo. Esportes de alto impacto no entanto devem ser evitados, e portas magnéticas, exames de ressonância magnética e uso de estimulação não invasiva como estimulação magnética transcraniana (TMS ou EMT) devem ser avaliados caso a caso. |
Exemplo do gerador de pulsos |
| 3. Escolha de Alvos Cirúrgicos | |
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Planejamento estereotáxico e estruturas profundas |
O cérebro possui diferentes regiões de controle de funções motora concentrados nos núcleos da base. A escolha de onde colocar a ponta do eletrodo é individualizada para os sintomas de cada paciente. Os dois alvos principais na Doença de Parkinson são núcleos cuja atividade é anormalmente aumentada pela redução da dopamina:
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| 4. A Cirurgia e o Papel do Neurologista Clínico | |
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A cirurgia para implante do DBS é minuciosa e guiada por imagens de alta resolução (Ressonância Magnética e Tomografia) acopladas a um arco estereotáxico. Um diferencial crucial para o sucesso da cirurgia é a atuação conjunta do Neurocirurgião com o Neurologista Clínico especialista em Distúrbios do Movimento dentro do centro cirúrgico. Para garantir a maior precisão possível, o neurologista atua examinando o paciente (No Brasil, o paciente permanece acordado durante a implantação cerebral na maior parte das cirurgias) e utilizando registros de microeletrodos (escutando a atividade dos neurônios) enquanto o cirurgião movimenta o eletrodo milímetro a milímetro. |
Exame do paciente acordado no intraoperatório |
| 5. A Importância da Programação Adequada | |
Ajuste de parâmetros via tablet ou programador |
A cirurgia é apenas o primeiro passo. O verdadeiro benefício se consolida nas semanas e meses seguintes através da programação do dispositivo no consultório. O neurologista utiliza um dispositivo sem fio (semelhante a um tablet) para se comunicar com o marca-passo no peito do paciente. É possível alterar a amplitude (força), largura e frequência do pulso elétrico, além de escolher quais contatos do eletrodo estarão ativos. Uma programação de excelência "esculpe" o campo elétrico no cérebro para maximizar o alívio motor e evitar correntes indesejadas em áreas vizinhas. |
| 6. Riscos, Limitações e Sintomas Não Responsivos |
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Riscos da Cirurgia: Embora o cérebro seja operado, a cirurgia de DBS é muito segura quando feita por equipes experientes. O risco de complicações graves, como hemorragias cerebrais sintomáticas, é baixo (cerca de 1 a 2%). O risco de infecção no sistema (maior parte das vezes acometendo a região da bateria) varia em torno de 3 a 5%, que é controlado com antibióticos porém pode necessitar em casos graves da retirada de parte ou todo o sistema implantado. Limitações (O que o DBS NÃO melhora): É fundamental alinhar expectativas. A cirurgia fornece uma enorme melhora em qualidade de vida e funções motoras mas não cura a doença e não freia sua progressão. Mais importante ainda: os sintomas que não melhoram com o remédio (Levodopa), geralmente não melhoram com o DBS (com rara exceção do tremor). Sintomas como congelamento da marcha (freezing), desequilíbrio e quedas, dificuldade de engolir (disfagia), alterações na fala e declínio cognitivo não são alvos da terapia cirúrgica clássica e podem até piorar dependendo da área estimulada. |
| 7. Outras Indicações para a Neuromodulação |
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Nota: Este guia foca na Doença de Parkinson, que é a indicação mais comum para esta cirurgia. No entanto, a Estimulação Cerebral Profunda é uma ferramenta altamente versátil. Ela possui aprovação e excelentes resultados no tratamento de Distonias generalizadas ou segmentares graves, Tremor Essencial incapacitante e, em casos bastante selecionados e refratários, para Epilepsia, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e outros distúrbios do movimento complexos. |